Por que ninguém quer mais trabalhar em restaurantes?
Falta de profissionais, vagas que permanecem abertas e equipes sobrecarregadas. O que está por trás da dificuldade de contratar no setor gastronômico?
“Hoje em dia ninguém mais quer trabalhar.”
Essa frase se tornou frequente nos bastidores de restaurantes, bares e cozinhas profissionais. Empresários anunciam vagas, recebem poucos currículos e enfrentam dificuldades para encontrar pessoas dispostas a permanecer na operação.
Mas será que realmente faltam pessoas querendo trabalhar? Ou o mercado de gastronomia está passando por uma transformação que muitas empresas ainda não conseguiram acompanhar?
A resposta é mais complexa do que parece.
A dificuldade de contratar não é apenas uma impressão
Os números confirmam que encontrar profissionais se tornou um desafio para o setor.
Segundo uma pesquisa divulgada pela Abrasel em outubro de 2026, 88% dos empresários entrevistados consideram difícil ou muito difícil contratar funcionários.
Entre os participantes, 42% apontaram a falta de interessados nas vagas como principal dificuldade, enquanto 27% destacaram a escassez de profissionais qualificados.
E o problema não se restringe às posições de entrada. Cozinheiros, chefs e gerentes também estão entre os profissionais mais difíceis de encontrar.
Isso revela uma questão importante: o problema não está somente na quantidade de pessoas disponíveis, mas também na distância entre o que as empresas oferecem e o que os profissionais procuram.
O trabalho mudou. As expectativas também.
Durante muito tempo, trabalhar em gastronomia foi associado a jornadas extensas, finais de semana ocupados, feriados trabalhados e uma rotina fisicamente exigente.
Essas características ainda fazem parte de muitas operações. Afinal, restaurantes funcionam justamente nos horários em que grande parte da população está descansando.
Entretanto, os trabalhadores passaram a considerar outros fatores na escolha de um emprego.
Previsibilidade de horários, remuneração, qualidade da liderança, deslocamento, ambiente de trabalho e possibilidade de crescimento podem pesar tanto quanto o próprio cargo.
Isso não significa que os profissionais tenham perdido o interesse pela gastronomia. Significa que uma oportunidade precisa ser suficientemente atrativa diante das alternativas disponíveis.
Para quem administra um restaurante, compreender essa mudança é fundamental.
Salário importa, mas não resolve tudo
Imagine dois restaurantes oferecendo remuneração semelhante para a mesma função.
No primeiro, o candidato recebe informações claras sobre horários, benefícios, responsabilidades e organização da equipe.
No segundo, encontra um anúncio com salário “a combinar”, horários indefinidos e exigências pouco claras.
Mesmo que as duas empresas ofereçam condições parecidas, a forma como apresentam suas oportunidades pode influenciar a decisão de se candidatar.
Agora imagine que, após a contratação, um profissional precise assumir constantemente responsabilidades de colegas ausentes, trabalhar em uma equipe insuficiente ou lidar com mudanças frequentes na escala.
Nesse cenário, aumentar o salário pode ajudar, mas não necessariamente resolverá as razões que levam as pessoas a sair.
Contratar bem exige olhar para a vaga. Reter profissionais exige olhar para a operação.
O problema de contratar sempre com urgência
Na gastronomia, muitas contratações começam quando a equipe já está desfalcada.
Um cozinheiro pede demissão. Um atendente falta. A operação cresce inesperadamente.
O gestor, pressionado pelo serviço, precisa encontrar alguém o mais rápido possível.
É nesse momento que surgem decisões arriscadas: contratar sem compreender adequadamente a experiência do candidato, ignorar incompatibilidades de horário ou deixar de avaliar habilidades importantes para a função.
Quando a contratação não funciona, o ciclo recomeça.
A empresa precisa abrir outra seleção, a equipe continua sobrecarregada e o gestor perde tempo que poderia dedicar à operação.
A urgência pode ser inevitável. A improvisação, não.
Por que alguns restaurantes conseguem atrair profissionais e outros não?
Não existe uma resposta única.
Localização, reputação, remuneração, jornada, liderança e características da operação influenciam a atratividade de uma vaga.
Mas existe um ponto frequentemente negligenciado: uma vaga não pode ser analisada isoladamente da estrutura em que o profissional irá trabalhar.
Antes de contratar, vale entender se a equipe está corretamente dimensionada, se as responsabilidades estão claras e se a liderança possui condições de integrar e acompanhar uma nova pessoa.
Também é importante verificar se a descrição da vaga corresponde ao trabalho real.
Um anúncio pode atrair candidatos tecnicamente preparados e, ainda assim, resultar em contratações frustradas quando as expectativas não estão alinhadas.
Por isso, recrutamento não deveria se limitar à divulgação de vagas e à análise de currículos.
Como contratar funcionários para restaurantes em um mercado mais competitivo?
O primeiro passo é deixar de tratar toda dificuldade de contratação como falta de profissionais.
Uma empresa com poucos candidatos talvez precise ampliar seus canais de divulgação, rever as condições oferecidas ou tornar o anúncio mais claro.
Já uma empresa que recebe muitos currículos, mas não encontra profissionais adequados, pode precisar melhorar a definição do perfil e os critérios de seleção.
Quando as pessoas são contratadas e saem pouco depois, o problema pode estar além do recrutamento: na integração, na liderança ou nas condições efetivas de trabalho.
São situações diferentes que exigem soluções diferentes.
Um processo seletivo estruturado considera a experiência técnica, as competências comportamentais, a rotina da operação e as expectativas de ambas as partes.
E isso faz diferença especialmente em gastronomia, onde o desempenho individual está diretamente conectado ao funcionamento de toda a equipe.
Afinal, ninguém mais quer trabalhar em restaurantes?
Os dados mostram que contratar ficou difícil, mas não sustentam a ideia de que ninguém queira trabalhar.
O setor continua empregando profissionais e oferecendo oportunidades. O que mudou foi o contexto em que empresas precisam atrair, selecionar e manter suas equipes.
Para os gestores, o desafio não é simplesmente encontrar alguém disposto a aceitar uma vaga.
É construir oportunidades competitivas, identificar profissionais compatíveis e oferecer condições para que a contratação funcione.
Talvez a pergunta mais importante não seja “por que ninguém quer trabalhar?”, mas “o que faz um profissional escolher trabalhar e permanecer aqui?”.
A resposta pode revelar muito sobre o futuro de um restaurante.
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Unimos experiência operacional em gastronomia e hospitalidade à gestão de pessoas para compreender as necessidades de cada negócio e encontrar profissionais alinhados à realidade da operação.
Porque contratar não é apenas preencher uma vaga. É entender quem a equipe precisa e em quais condições essa pessoa poderá trabalhar.
O seu negócio é de A&B. Seu RH também deveria ser.
Fonte: Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), pesquisa realizada entre 13 e 20 de outubro de 2026, publicada em 23 de outubro de 2026.